
Passara toda manhã entretido na construção da fortificação, as pequenas mãos enchiam-se de punhados de areia, alguns grãos teimavam, escapando dos dedos, voando com o vento. Muitas idas e vindas tinha dado, com o balde azul espumando de água salobra, derrubando, em pequenas ondas de vertigens, bocados de água que traçavam poças no chão.
A terra encharcada, tornava-se rija como cimento, firme as mãos apalpavam os punhados, que aos poucos se solidificavam, e unidos viravam paredes, torres, caminhos... As conchas catadas mais cedo davam toque as dobradiças da janela, fazia vez de maçaneta da tranca das portas, os palitos de picolé, enterrados a meio mastro eram então bandeira real.
O sol queimava a pele alva do principezinho, incansável em sua batalha quimérica, sua verdade estava ali, em meio a praia apinhada e era o mesmo que estar sozinho, por que dentre todos os deleites de verão, alguém ousava sonhar.
Dos muitos garotos que corriam a beira mar, jogando magotes de água, boiando de dorso virado, levantando areia , derretendo-se , chorando e esperneando, um único guri, parecia alheio a alta temperatura, aos olhos irritados de sal, a secura da boca, ao suor da testa , ao cheiro do sargaço a tudo e a todos.
Não havia platéia além dos arrecifes que formavam piscinas naturais, nas quais as mães livres das nefastas ondas, permitiam que seus filhos afoitos, nadassem com água na altura das coxas.
Mas o tempo passava e o entardece veio deixar vermelho o céu que outrora fora manhã clara, finalmente o menino terminava o seu labor, não se viam mais as muralhas de corais, apenas ouvia-se o barulho das ondas batendo-se com fúria.
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